jardins comestiveis

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cidade campo 31 31America/Sao_Paulo maio 31America/Sao_Paulo 2010

Filed under: beleza urbana — jardins comestiveis @ 10:16

 

Qual é o significado da tese do “desurbanismo”, que na década de 40 afirmava que era preciso que a cidade não crescesse?

Na realidade, o “desurbanismo” teria o seguinte significado: em face da contestação daquilo que se chama o “caos urbano” no mundo inteiro, do abandono do campo para a vida urbana, que solução se pediria na tecnologia urbanística? Umas das hipóteses imediatas já surgiu muito antes da década de 40. O que se chamou de “desurbanismo” foi a proposta de se evitar o crescimento da cidade, forçar que a contradição entre a cidade e o campo se resolvesse morando no campo. Isso foi a tal ponto que alguns países chegaram a estabelecer critérios para que as pessoas pudessem abandonar o campo e viver na cidade. O que conta, universalmente, é a tendência que a humanidade tem de viver cada vez mais em aglomeração urbana. Então, tomar uma posição na contradição entre cidade e campo pelo lado unicamente espacial, forçando o homem do campo a viver lá sem atingir a cidade, significa ir contra um alinhamento já provado como inevitável.

Ora, não sei se é o caso de se buscar a solução para isso fora do plano espacial e sim interferindo nas estruturas econômico-sociais que fazem o campo impossível de ser habitado pelo homem. O homem que abandona o campo hoje no Brasil ganha Cr$ 120 por dia, na cidade de São Paulo, pedindo esmola. Ganha quatro vezes mais do que ganharia como trabalhador em qualquer outro lugar do campo. Pedir esmola nas cidades dá muito mais dinheiro que trabalhar no campo. Há uma alteração, portanto, que não se liga diretamente ao plano da relação arquitetônica espacial do traçado da cidade, para que ela se equilibre como forma espacial adaptada à vivência humana feliz, como nós a desejamos.

Isso se contém de alguma maneira dentro de cada uma das estruturas econômico-sociais que caracterizam um país, se bem que exista uma tendência universal para a vida cada vez mais na cidade e menos no campo. Podemos concluir que “desurbanizar”, se não está longe, parece que não é uma solução imediata para essa problemática, que está a exigir das ciências sociais o estudo das condições dentro das quais o homem vive, visando a uma solução diferente para aquilo que pode chamar-se contradição entre a cidade e o campo.

Trecho de “Arquitetura e desenvolvimento nacional”. Depoimento realizado pelo arquiteto Vilanova Artigas, em maio de 1979, em ciclo de debates organizado pelo IAB-SP, sobre o tema Arquitetura e Desenvolvimento Nacional. Do livro Vilanova Artigas Caminhos da Arquitetura, Cosac Naify 2004, p 149-150.

 

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